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Main » 2011 » Novembro » 12 » VOCÊ SABE O QUE É A SÍNDROME DA MORTE SÚBITA?
6:30 PM
VOCÊ SABE O QUE É A SÍNDROME DA MORTE SÚBITA?


Isso começou a mudar quando pais americanos inconsolados pela perda de seus bebês, e insatisfeitos com a falta de respostas, criaram nos Estados Unidos a Fundação Nacional de SMSL, que reivindicou estudos epidemiológicos da comunidade científica, discutidos em duas conferências (em 1963 e 1969). Os estudos mostraram que as características encontradas eram idênticas nos países participantes (EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália e Tchecoslováquia).

Definição atual da síndrome: morte súbita e inesperada de uma criança menor de 1 ano, previamente saudável, com início do episódio fatal aparentemente ocorrendo durante o sono, que se mantém inexplicada após exaustiva investigação, incluindo realização de uma necrópsia completa, revisão das circunstâncias da morte e da história clínica. Pode ser subdividida em categorias1: IA, IB, II e morte súbita da infância não classificada.

Fatores de risco

Os fatores de risco relacionados são: sono, cabeça coberta na hora do sono, baixo peso ao nascer, prematuridade, mãe adolescente, gestações múltiplas, raça negra, hipo ou hipertermia, fumo na gravidez, nível socioeconômico menos favorecido e dormir compartilhado. Acomete crianças de até 1 ano de idade com pico de incidência de 2 a 4 meses de vida, predomínio no sexo masculino (60%), mais frequente nos meses frios e nas madrugadas.

Várias hipóteses tentaram explicar a etiologia da SMSL, desde infecções até causas genéticas. Atualmente, acredita-se em falha no sistema de despertar, podendo ser entendida como disfunção do sistema nervoso autônomo.

Os estudos da cena do óbito mostraram que a maioria das crianças estava "de bruços” (decúbito ventral) no momento do óbito. Foram realizadas campanhas orientando colocar a criança para dormir em posição supina (decúbito dorsal). Nos Estados Unidos, até a década de 1980, a SMSL era a principal causa de óbito até um ano de idade. Essa simples recomendação levou, no prazo aproximado de dez anos, à redução na incidência de 1,4/1.000 para 0,7/1.000 nos EUA, de 3,5/1.000 a 0,3/1000 na Noruega e de 0,8/1000 a 0,3/1000 no Canadá.

Em 1992, a Academia de Pediatria Americana realizou campanhas com medidas preventivas, que em 2005 foram revisadas e revalidadas. Os três fatores preventivos de maior relevância foram: dormir em posição supina pelo menos até os 6 meses de vida; evitar fumo na gravidez e contato com fumantes (redução de risco de 2 a 4 vezes) e evitar cobrir a cabeça na hora do sono (redução de mortes de 16% a 22%).

Outras medidas seriam: evitar sono compartilhado; colchões moles, de água ou sofás; considerar o uso de chupetas para dormir, começando um mês após início da amamentação.

Como podemos prevenir essa síndrome?

Evitando os fatores de risco mencionados e acompanhando crianças com história de bradicardia, apneias, cianose, recuperados de SMSL ou grupos de risco, como os prematuros.

E no Brasil, há muitas mortes por SMSL?

Apesar de estudos em algumas regiões mostrarem semelhanças epidemiológicas com países desenvolvidos, não podemos generalizar, afirmando que essa incidência reflete a nossa realidade. Temos uma taxa de mortalidade infantil muito superior à desses países e, seguramente, estão englobadas as mortes por SMSL nessas taxas: há subnotificação em nossos atestados de óbito, não realização de necrópsias padronizada e ausência de campanhas massivas de prevenção.

Como podemos ter similar incidência em relação a países que por longa data estão investindo em estudos e prevenção? Não seria mais provável que estivéssemos deixando de fazer diagnósticos? Seria necessário para responder a essas perguntas uma política pública voltada para divulgação, prevenção e estudos epidemiológicos seriados, com intenção de responder a essas questões, com índices que reflitam realmente a nossa realidade.

 Por Cristina Guerra, José Sobral, Henrique Maia, Tamer Seixas e Ayrton Peres, cardiologistas e membros da Sociedade Brasileira de Arritmia Cardíaca (Sobrac)

Category: CIÊNCIA | Views: 547 | Added by: jorge | Rating: 0.0/0
                                 
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