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11:49 AM
COMEÇOU O JULGAMENTO DE BRUNO, BOLA E MACARRÃO PELO DESAPARECIMENTO DE ELIZA SAMUDIO EM 2010


Com mais de 50 minutos de atraso, começou por volta de 9h50 desta segunda-feira (19) o júri do caso Eliza Samudio, no Fórum de Contagem (Grande Belo Horizonte), com a chamada dos 25 jurados pré-selecionados. Apenas sete jurados serão escolhidos, em sorteio, a seguir.

O advogado do goleiro Bruno Souza afirmou mais cedo que a defesa do réu não irá pedir a suspensão do júri do ex-jogador do Flamengo.  "Queremos ir para o julgamento”, disse Francisco Simin. Até então a defesa do acusado anunciava que iria pedir a suspensão do júri até que recursos apresentados em tribunais superiores fossem apreciados.

Questionado se irá apresentar alguma prova nova para tentar inocentar seu cliente, Simin respondeu que cabe à acusação provar a culpa de Bruno. "Eles que têm que apresentar prova”, disse. A falta de um corpo que comprove a morte da vítima deve ser a principal arma a ser empregada pela defesa, segundo Zanone Júnior, advogado de um dos réus, Bola.

O promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro, responsável pela acusação, disse hoje, antes do julgamento, que tem material probatório para condenar os cinco réus: Bruno, Luiz Henrique Romão, o "Macarrão”, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o "Bola”, acusado de ser o executor do crime, Dayanne e Fernanda Castro. Ele acredita que o júri deve durar de duas a três semanas.

Simin também defende a ex-mulher do goleiro Dayanne Souza. De acordo com ele, a defesa da ré não irá pedir o desmembramento do júri, mas se isso ocorrer "será muito bom para elas [Dayanne e Fernanda Castro, amante de Bruno]”.

Parentes do Bola estenderam faixa de apoio a ele na lateral do fórum, onde se lê: "Marcos é um filho precioso, irmão para todos os momentos, neto atencioso, esposo companheiro, pai maravilhoso e um vovô muito amado. Te amamos, sua família”.

Uma das filhas de Bola, Middian Kelly dos Santos, disse que foi orientada a não dar entrevista, mas afirmou "que a Justiça vai ser feita com a absolvição dele [pai]".

Entenda

O desaparecimento de Eliza Samudio provavelmente teria entrado para a crônica policial como mais um caso anônimo, sem corpo nem solução, se não tivesse entre os acusados um personagem que imediatamente chamou a atenção do público em todo o Brasil: Bruno de Souza Fernandes, 27, goleiro titular e capitão da equipe principal de futebol do Flamengo do Rio.

Desde que o nome de Bruno emergiu como o principal suspeito pelo sumiço de Eliza, foi desfraldado um enredo –ainda inacabado- repleto de reviravoltas, declarações polêmicas, versões fantasiosas, pistas falsas e até morte que ainda provoca perguntas, por enquanto, sem respostas: Bruno mandou matar Eliza? Onde está o corpo? Eliza pode estar viva?

Com o julgamento, Bruno e quatro réus presenciam versões do caso –e de fatos a ele relacionados– narradas por advogados e testemunhas. Ao cabo de duas semanas, tempo previsto para terminarem os trabalhos de defesa e acusação, sete jurados definem se os cinco réus são culpados ou inocentes. A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do 1º Tribunal do Júri de Contagem, conduz o andamento das coisas.

O desaparecimento de Eliza

A paranaense Eliza Silva Samudio tinha 25 anos em junho de 2010 quando, segundo relatos de amigos, saiu do Rio de Janeiro, onde morava, e foi para Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde conversaria com o goleiro Bruno, pai de seu filho, então um bebê de apenas quatro meses. O atleta estava em compromisso pelo Flamengo, mas iria logo depois.

Bruno mantinha um sítio na cidade mineira, onde costumava descansar e reunir amigos. Revelado pelo Atlético Mineiro em 2005, o goleiro estava no Flamengo e morava no Rio desde 2006. Foi no Rio que Bruno começou a se relacionar com Eliza, no início de 2009. Cerca de um ano depois, em fevereiro de 2010, eles tiveram um filho.

Amigos contam que o relacionamento entre os dois havia "azedado” logo que Eliza soube estar grávida. Eles relatam que Bruno e Eliza brigavam muito, e o goleiro a teria agredido e obrigado a tomar remédios abortivos quando comunicado sobre a gravidez. A pedido dele, Eliza teria ido ao sítio de Minas para conversar e, talvez, chegar a um acordo com o goleiro sobre a paternidade do filho. Foi e não voltou, dizem.

Investigação e "revelação”

Conforme a investigação, cerca de três semanas após Eliza ter sido levada para Minas, um telefonema anônimo para o Disque Denúncia (181) informou que ela havia sido agredida e morta no sítio do goleiro em Esmeraldas. Imediatamente a polícia conseguiu um mandado de busca e apreensão e seguiu para o local, onde fez buscas e, lá, encontrou roupas de mulher, fraldas e objetos de criança.

Mas foi no Rio que o caso "explodiu”, no início de julho, quando a polícia encontrou, na casa do goleiro, localizada em um condomínio fechado no Recreio dos Bandeirantes, um adolescente de 17 anos, primo do goleiro, que afirmou ter participado do sequestro de Eliza. Segundo depoimento do menor, ele e Luiz Henrique Romão, o "Macarrão”, levaram Eliza e o bebê para o sítio em Esmeraldas.

Em seguida, de acordo com o adolescente, ela foi levada a Vespasiano, para a casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o "Bola”, acusado de ser o executor do crime. Lá, Eliza teria sido amarrada, estrangulada e esquartejada, e partes do corpo teriam sido jogadas a cães da raça rottweiler, que as comeram. O bebê não estava junto, havia ficado 40 km para trás, no sítio em Esmeraldas, sob os cuidados da mulher de Bruno, Dayanne Souza.

No dia seguinte ao depoimento do menor, a Justiça de Minas Gerais pediu a prisão preventiva de Bruno e mais oito pessoas, todas suspeitas de participarem direta ou indiretamente do crime: Bruno, MacarrãoBola (suspeito de matar Eliza), Dayanne, Fernanda Castro (amante de Bruno), Elenilson Vítor da Silva (caseiro do sítio), Flávio Caetano de Araújo (amigo), Wemerson Marques de Souza (amigo) e Sérgio Rosa Salles (primo de Bruno). Os cinco primeiros começam a ser julgados hoje. Dos demais, um foi assassinado (Sérgio), um não foi pronunciado por falta de provas (Flávio) e dois serão julgados em data a ser definida.

O menor que contou tudo à polícia hoje é maior. Jorge Rosa foi condenado pelo juiz da Vara da Infância e Juventude de Contagem a cumprir medida socioeducativa por envolvimento no caso. As informações de Rosa serviram de base para as investigações da polícia. Porém, após apontar Bruno, Bola e Macarrão como os autores do crime, ele voltou atrás e negou a versão. Atualmente, faz parte de programa de proteção de testemunhas do governo de Minas Gerais.

Category: NOTÍCIAS | Views: 626 | Added by: monica | Rating: 0.0/0
                                 
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